Triunfo encantado

Há tempo para todas as coisas debaixo do sol. Aprendi estar em silêncio, sossegada quando a tempestade chega e, deixo que ela fique o tempo que tem que ficar, pois sei que depois ela se vai, tão de repente assim como chegou. Há também momentos silenciosos, nada acontece, pára tudo, tentamos de um lado, tentamos de outro e as coisas não fluem é como se uma força invisível as impedissem, não sei se é pior do que a tempestade. Mas quando tem que acontecer não há nada nem ninguém que impeça, no momento mais improvável, em terras áridas, há um desabrochar de tudo aquilo que foi sonhado, que foi projetado. Assim aconteceu em Cachoeira, esta terra mística, tanto tempo árida, num momento inóspito ela desabrocha com a Flica (Festa Literária Internacional). A cidade estava linda, o povo estava lindo, envolvidos numa magia de transformação poética, cantando, dançando, extasiadas com o belo, transformando o marasmo em encantamento. As pessoas estavam felizes, porque precisam de arte, de novos conhecimentos pra que o sangue pulse em suas veias com mais entusiasmo. Vi o interesse de Marcus Ferreira (Chico para os cachoeiranos) em ouvir sugestões como um mestre sábio que sabe precisar delas para alcançar a perfeição. Parabéns a Marcus Ferreira e a todos os envolvidos neste projeto que encantou a todos nós. Percebi alguns fatos engraçados, como na mesa com a antropóloga Adriana Facina uma grande conhecedora da obra de Nelson Rodrigues e Sonia Rodrigues, filha de Nelson, que ao ser interpelada repetia a frase – a vida como ela é.... a vida como ela é... e sem nada pra dizer abria o livro e, lia uma citação do pai. Como também a insatisfação de várias pessoas na intermediação de Jorge Portugal no tema A Diáspora e seu avesso, demostrando não entender bulhufas, que poderia ser mais fértil se desenvolvido por um entre muitos antropólogos desta terra que produz frutos maravilhosos. Outra coisa interessante foi a platéia instigar o escritor norte-americano Uzodinma Iweala a discorrer sobre questões como escravidão e ele não se rendeu a este estigma da escravização de um povo. Afinal outros povos foram escravizados e, a vida pulsa, existem novas percepções, um novo caminho em movimento.

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