Sacrilégio


Quem "roubou" a coroa de jesuscristinho?






A coroa de oiro cravejada de brilhante do Menino Jesus no colo de Nossa Senhora dos Navegantes, também conhecida como Nossa Senhora d'Ajuda, foi de fato roubada ou algum rato está jogando o barro para ver se cola? Explica-se: será que a coroa foi retirada do lugar onde se encontrava com outras alfaias e foi propositalmente escondida, dada como roubada, e quando a Polícia Federal não encontrá-la, a comunidade católica cachoeirana esquecê-la e o arcebispo deixar pra lá o escondedor passe a dono e incluí-la na sua coleção de artes sacras? Não se sabe, mas tudo é possível.
Ou então o roubo é mais um roubo inexistente, como provavelmente foi inexistente o roubo do Museu de Alfaias, que ocorreu de forma misteriosa e mal explicada no início de 1990 no mesmo bat local e com os mesmos bat atores. Alhures, o objeto de desejo foram algumas alfaias e imagens que se encontravam expostas no mencionado museu, notadamente alfaias pertencentes à Irmandade da Boa Morte que, à epoca, vivia em conflito com o padre e a Igreja. Hoje, o objeto de desejo foi uma alfaia caríssima, linda, rara, velha, peretencente não à Igreja, mas ao patrimônio Nacional. E o "roubo" aconteceu no momento em que o IPHAN entregou a obra de restauração do painel de azulejos da igreja matriz do orago cachoeirano onde ocorreu o roubo de antanho e o roubo do dia 21 de agosto de corrente ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de 2012.
Será que o rato, que parece ser um rato doméstico, aproveitou que a igreja matriz estava em reforma, cheia de restauradores, artistas, museólogos, técnicos, visitantes ilustres e outros visitantes, e esse vacilo possibilitou "roubar" a peça valiosa e a culpa ou a desconfiança recair sobre os ombros de algum mordomo e não do rato rato?  Ou então a suspeita do "roubo" cair pesado sobre os ombros do IPHAN, que a igreja matriz e o prefeito de Cachoeira não gostam, detestam, que quer vê-lo pelas costas? Aí o rato deve ter pensado no seu ardiloso plano: "já que na cerimônia de entrega da obra de restauração do painel de azulejos da igreja, na qual estiveram presentes a ministra da cultura, secretários de estado e outras personalidades, e as chaves da igreja foi entregue pela ministra da cultura a um frei gregoriano, que representava o arcebispo primaz do Brasil, o "roubo" da coroa de Jesuscristinho ficará sob a responsabilidade do IPHAN".
Se a estratégia der certo, será o IPHAN quem dará conta do "roubo", porque a cópia da chave que abriu a porta por onde o ladrão teria aberto e entrado no templo de forma sub-reptícia não foi entregue ao fiel guardador de chaves, mas a um frei de outra paróquia (e ninguém sabe o que teria passado por sua cabeça de frade), o que significa dizer que o ladrão foi o frei, ou pode ser algum amigo do frei, algum convidado do IPHAN, da ministra Ana de Hollanda, de algum secretário de estado, e não o mordomo, do verdadeiro rata de igreja. Como o roubo de antanho, ninguém viu o sacrílego, ninguém desmaiou.

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