IPAC-BA vai doar imóvel para samba-de-roda de Dona Dalva

O imóvel está assim

O samba-de-roda de Dona Dalva, que já teve a denominação de samba-de-roda da Suerdieck, terá sua sede própria. O Instituto do Patrimônio Artístico-Cultural da Bahia – IPAC-Ba – vai doar um imóvel de sua propriedade, localizado na Rua 13 de Maio, ao fundo da igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Cachoeira, para instalação da sede da entidade cultural. Além de realizar o sonho de Dona Dalva de fundar a Casa do Samba-de-roda de Cachoeira, o IPAC-BA recuperará um dos mais elegantes edifícios coloniais que o tempo e o descuido ruíram.



Década de 1970,  já abandonado


Bela iniciativa, elogiou o cronista cachoeirano Erivaldo Brito. Segundo ele, o edifício onde será instalada a sede da Casa do Samba de Cachoeira parecia o edifício da Casa de Jorge Amado, localizado no Pelourinho, em Salvador. Não somente isso; o IPAC-Ba está executando projetos culturais de expressiva relevância em Cachoeira, tais como a inscrição da Irmandade da Boa Morte como patrimônio imaterial baiano, e o reconhecimento da festa de Nossa Senhora d’Ajuda, que está em vias de reconhecimento, entre outras ações de fortalecimento de legados culturais de cunho africano no município de Cachoeira
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O imóvel no mesmo ângulo da foto anterior


O samba-de-roda de Dona Dalva merece. Conforme lembrou a etnomusicóloga, Dra Francisca Marques, o samba-de-roda de dona Dalva foi a referência para a construção do projeto que culminou com o reconhecimento do samba como patrimônio cultural brasileiro. Dona Dalva, que é reconhecida como sambadeira e compositora desde o tempo do grupo Cor das Águas, que gravou a música “jiló”, de sua autoria, nos anos 1970. Menos aqui em Cachoeira. A sede do samba de dona Dalva é um imóvel alugado e era pago por um padre e antropólogo recentemente falecido. Entretanto, o proprietário do imóvel não pretende renovar contrato de locação. A prefeitura municipal de Cachoeira, que poderia doar um imóvel para o grupo musical, nada faz, a não ser oferecer R$ 1.500,00 por uma apresentação de duas horas de duração durante o festejo junino, enquanto paga R$ 370.000,00 à banda Chiclete com Bananas por um xô de 30 minutos.


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