Um bom debate

Anônimo disse...
De historiador para historiador (última mensagem):

Reflexão Política

A liberdade individual (e não há outra liberdade real, senão esta) é incompatível com a igualdade social (econômica, material), mas não com a igualdade jurídico-formal (perante o Estado e as leis). Assim sendo, para se buscar a igualdade social (econômica, material), tem-se de restringir e mesmo suprimir a liberdade individual (liberticídio); por outro lado, a garantia da liberdade individual pelo Estado necessariamente conduz à desigualdade social - pois os homens não têm a mesma história pessoal e familiar -, mas não afeta a igualdade jurídico-formal.

Donde a escolha política essencial hoje seja entre a liberdade individual (com igualdade formal) e a igualdade social (com pouca ou nenhuma liberdade individual).

Sucede além disso que a experiência histórica tem demonstrado ser a igualdade social algo inatingível, pois quem iguala socialmente a base social se desiguala em relação à mesma, pois se mantém no topo da hierarquia social, como casta burocrática dominante, política e econômicamente.

Daí a indagação: valeria mesmo a pena abdicar da liberdade individual em prol de uma pseudo-igualdade social? Outra pergunta: qual seria a vantagem de não ser empregado de uma empresa privada, podendo-se buscar livremente outro emprego privado ou público, para ser empregado compulsório do Estado, sem outras alternativas, sacrificando-se a liberdade individual em nome de uma promessa de igualdade social jamais alcançada? E ainda outra: que diferença haveria entre um escravo tradicional (de um senhor de escravos) e o escravo do Estado? Seria o falacioso argumento de que o Estado representaria a sociedade como um todo? Em que o escravo do Estado totalitário seria superior ao escravo antigo, se a ambos se nega a liberdade individual, embora os dois sejam mal ou bem alimentados, conforme a energia que deles se exija ?

Comentários

  1. Anônimo10:09

    A P L A U S O S!!!
    Um bom debate ...

    Foi o que de melhor já li neste BLOG.
    Postagens e comentários deste nível, são os que merecem ser lidos e analisados.

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  2. Anônimo10:50

    (continua)
    Assim sendo, o Estado nos sistemas totalitários torna-se o escravizador dos súditos (os indivíduos) em nome destes. O indivíduo, sem opção individual de vida, é exortado e mesmo compelido a trabalhar pela construção de um projeto que nunca se acaba; gerações foram escravizadas na URSS e o são em Cuba, na Coréia do Norte,etc, em nome de um futuro radiante que nunca chega, até porque a organização econômica é ineficiente. Mas o poder das cúpulas se mantém indefinidamente, apoiado na demagogia e no terror.

    Em suma, quanto maior for o domínio estatal, menor será a liberdade individual. O mesmo sucede numa sociedade escravocrata em relação aos escravos privados, na qual o Estado confere ao senhor de escravos o "direito" de tê-los. A diferença é que no totalitarismo estatal quase todos são escravos. É a escravidão em prol de um bem comum ditado por alguns burocratas (alguns destes se julgam iluminados pela "Verdade Histórica"; outros (a maioria da minoria), querem é exercer o poder puro e simples mesmo (não sei quais são os piores).

    Não existe Estado libertador. Os USA sabem bem disso. Enquanto lá há uma resistência enorme às intervenções do Estado (que é visto como um mal necessário, mas que deve ter poderes limitados perante os cidadãos), aqui espera-se tudo do Estado. É uma herança ibérica que se casa muito bem com toda forma de autoritarismo e totalitarismo estatal. Nunca houve liberalismo no Brasil. Por isso o empresariado adora um Estado forte que lhe dê reservas de mercado. Daí o patrimonialismo que antes era praticado pela "direita" (que prefiro chamar de oportunismo oligárquico) e hoje é praticado pela esquerda que está no poder político, em parceria com aquela "direita".

    Espero ter sido claro.

    Um abraço.

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  3. Anônimo10:50

    Prezado colega,

    Começarei pelo fim. A diferença entre o jogador negro bem sucedido e o negro escravo africano é que ao primeiro foi dada liberdade de escolha e ação de acordo com sua própria vontade, com seus próprios objetivos, o que fora negado ao segundo. O mesmo se aplica em relação à diferença entre o jogador livre e o gladiador cativo de Roma.

    Quanto ao gari, em primeiro lugar ele não tem de ser necessariamente negro. Se o é majoritariamente as razões são históricas. Dando-se oportunidade a ele com boa educação, essa realidade paulatinamente será modificada.

    já quando digo que a igualdade socio-econômica (e acrescento agora a socio-política) é inatingível, estou a dizer que a experiência histórica tem comprovado que os governantes, sobretudo aqueles que se arvoram em ser engenheiros sociais nos Estados totalitários (socialistas e fascistas), sempre, invariavelmente, estão política e econômicamente acima da massa social que pretendem moldar segundo suas ideologias. Daí decorre o fato de "socialismo democrático" só ter existido em teoria até o presente, pois a lógica interna de qualquer projeto político totalizante conduz necessária e inexoravelmente à autocracia estatal, que nada mais é que a autocracia (ou oligarquia) dos dirigentes do partido que domina inteiramente não só o próprio Estado como toda a sociedade. Nivela-se o "grosso" da sociedade por baixo e mantém-se a casta burocrática por cima. Isto é inevitável, como a história tem demonstrado. Veja que em Cuba e na Coréia do Norte, a sucessão chega a ser até familiar, como nas monarquias absolutistas.

    O preço que os indivíduos comuns pagam para a execução do planejamento estatal totalizante é, obviamente, a renúncia ou a privação da sua liberdade individual, da sua liberdade de escolher o seu próprio projeto de vida. Todo e qualquer coletivismo (socialista, comunista, fascista)somente pode ser implantado ao custo de forte restrição ou privação da liberdade individual. O indivíduo, nesses sistemas de organização política e econômica, apenas pode servir diretamente ao Estado (socialismo, comunismo) ou direta ou indiretamente (no fascismo). A maior falácia de Marx foi a promessa de que o Estado definharia no comunismo. Ocorre justamente o oposto. Diz-se até que essa teoria de definhamento só teria sido elaborada para atrair para o campo socialista os anarquistas que disputavam com aquele o comando da 1ª internacional.

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  4. Anônimo12:54

    Continuo gostando, aplaudindo e parabenizando pelos comentários úteis e inteligentes. Que sirvam de exemplo para outros tantos comentaristas.

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  5. Anônimo19:35

    O Estado ideal é comparável ao síndico de um condomínio de apartamentos: administra o condomínio e cobra as contribuições condominiais dos condôminos (poder executivo), e resolve conflitos entre os condôminos de acordo com a convenção e o regimento interno do condomínio(poder judiciário). No condomínio a democracia é direta na elaboração das normas condominiais, o que não pode ocorrer no Estado moderno devido à densidade populacional.

    Quando o Estado extrapola as funções análogas à do síndico e passa a invadir o espaço da privacidade, da individualidade e da economia dos cidadãos, ele age indevida e abusivamente, como um síndico estaria agindo se o fizesse com os condôminos.

    Simples assim.

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  6. Anônimo10:56

    “Hoje em dia – escreve Eduardo Chaves, Professor Titular de Filosofia da Educação da Universidade Estadual de Campinas (http://chaves.com.br/TEXTSELF/PHILOS/Inveja-new.htm) –,

    “o sentimento pelo qual a inveja pretende passar, a maior parte do tempo, é o de justiça – não a justiça no sentido clássico, que significa dar a cada um o que lhe é devido, mas a justiça em um sentido novo e deturpado, qualificado de ‘social’, que significa dar a cada um parcela igual da produção de todos – ou seja, igualitarismo. (...)

    Um postulado fundamental da ‘justiça social’ é que uma sociedade é tanto mais justa quanto mais igualitária (não só em termos de oportunidades, mas também em termos materiais, ou de fato). ‘Justiça social’ é, portanto, o conceito político chave para o invejoso, pois lhe permite mascarar de justiça (algo nobre, ao qual ninguém se opõe) seu desejo de que os outros percam aquilo que têm e que ele deseja para si, mas não tem competência ou élan para obter. (...)

    A luta pelo igualitarismo se tornou verdadeira cruzada a se alimentar do sentimento de inveja. Várias ideologias procuram lhe dar suporte. A marxista é, hoje, a principal delas. A desigualdade é apontada como arbitrária e mesmo ilegal, como decorrente de exploração de muitos por poucos. Assim, o que é apenas desigualdade passa a ser visto como iniqüidade. (...)

    O igualitarismo tornou-se o ópio dos invejosos.”

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  7. Anônimo11:31

    De historiador para historiador (uma confirmação oportuna):

    Médicos cubanos processam por “escravidão”



    Casto Ocando



    Um grupo de oito médicos e enfermeiros cubanos anunciaram segunda-feira, 22 de fevereiro, que solicitarão uma compensação de no mínimo US$ 450 milhões a Cuba, Venezuela e à estatal petroleira venezuelana, por ter sido submetidos a trabalhos forçados durante seus estágios no programa “Bairro Adentro”, em um processo encaminhado a uma corte federal de Miami.


    O montante da demanda poderia triplicar e os bens da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) nos Estados Unidos poderiam ser embargados, se o tribunal sentenciar a favor dos médicos cubanos, disse o advogado Leonardo Cantón.


    “Há entre 70 a 80 por cento de possibilidades de que o processo tenha êxito”, adiantou Cantón, em uma coletiva de imprensa em Hialeah, convocada para explicar os detalhes da ação legal.


    O processo é baseado no testemunho de um grupo de médicos cubanos que serviram em bairros venezuelanos, ao menos desde 2004 até 2008. Os médicos asseguram que foram submetidos a trabalhos forçados e obrigados a atender até 80 pacientes por dia, as 24 horas do dia, os sete dias da semana.


    Entre os demandantes estão os médicos Julio César Lubián, Ileana Mastrapa, Miguel Mafjud, María del Carmen Milanés, Frank Vargas, Julio César Dieguez e o enfermeiro Osmani Rebeaux. Uma oitava pessoa preferiu manter-se no anonimato sob o nome fictício de John Doe.


    Cantón disse que poderão somar-se à ação judicial todos os médicos que queiram e que, se for necessário, interporão todas as demandas que o caso requeira. O título do processo descreve a Venezuela como “colaboradora com Estados patrocinadores do terrorismo como Cuba e Irã”.


    “Mantinham-nos sob vigilância total, não nos permitiam sair nem a um restaurante nem ter amizades, e até me privaram de alimentos”, disse Frank Vargas, um especialista em Medicina Geral de 33 anos, nativo de Havana.


    Vargas disse que chegou na Venezuela em abril de 2008. Depois de servir durante três meses em comunidades do estado Zulia, fugiu para a Colômbia em julho desse ano porque não suportou as condições extremas de trabalho. Chegou a Miami em agosto de 2009.


    María del Carmen Milanés, especialista em medicina integral de 34 anos e natural de Holguín, relatou como durante sua estada entre janeiro de 2004 e março de 2008, na cidade central de Valencia, foi obrigada a viver praticamente isolada sem permitir-lhe contatos com venezuelanos “sem nem sequer poder ir a um restaurante”, e atendendo pacientes todos os dias da semana sem descanso.


    “Não podia fazer nada, relacionar-me com venezuelanos e muito menos se eram anti-chavistas”, disse Milanês a El Nuevo Herald.


    Segundo o médico Miguel Majfud, de 40 anos e originário de Holguín, quando decidiram desertar, mantiveram-se em um esconderijo secreto durante cinco meses. “Saíamos somente a cada 10 dias para comprar comida”.


    Tanto Milanés quanto Majfud, conseguiram obter uma palavra da embaixada dos Estados Unidos em Caracas e puderam viajar a Miami do aeroporto de Maiquetía em setembro de 2008.


    Fonte: The Miami Herald

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  8. Anônimo09:46

    De historiador para historiador:

    Nada mais estúpido do que a idéia de que os fins justificariam os meios. Primeiro, porque os fins são sempre discutíveis; segundo, porque, ao contrário daquela tese, são os meios que constroem os fins. Se aqueles são desonestos, injustos e inverdadeiros, estes também o serão in concreto, por mais que, no início, abstratamente, não o fossem.

    A propósito, mais um post do RA sobre o fascismo "politicamente correto", que de correto não tem nada:
    http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/aiatoelio-gaspari-e-a-tese-do-estupro-original-ou-demostenes-precisa-do-apoio-dos-decentes/

    Por essas e outras (e ponha outras nisso !!, como já revelei nos comentários anteriores), deixei de ser de esquerda.

    Um abraço.

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  9. Anônimo13:47

    Bons comentários, ricos em argumentos, não importa de há divergências entre eles.Nós, os leitores, raciocinemos chegando às conclusões do que achamos mais certo.

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