Prefeitura Municipal da Cachoeira não Cumpre Acordo com OAPC

Ontem (domingo), durante o sermão dominical, o pároco de Cachoeira levou ao conhecimento da comunidade católica durante a missa matinal, que costumeiramente é transmitida pela rádio FM Magnificat, que a prefeitura municipal está descumprindo o acordo celebrado com a Escola Paroquial das Obras assistenciais da Paróquia de Cachoeira.

Entenda o problema. A OAPC mantém uma escola de ensino fundamental que absorve, na maioria, estudantes provenientes de famílias de baixa renda. O interessante dessa escola é que os estudantes permanecem na unidade escolar em tempo integral recebendo apoio escolar, praticando esporte e artes, garantindo aos pais que, enquanto trabalham, seus filhos estão livres de traficantes de drogas e da prostituição. Para manter os alunos integralmente na escola a OAPC oferece três refeições básicas (café da manhã, almoço e uma leve refeição à tardinha), além de merenda às 10 horas e às 15 horas.

"São aproximadamente mil quilos (uma tonelada) de carne de frango que a instituição religiosa compra para a manutenção do “de comer” dos meninos", disse o padre. Isto, acrescento eu, sem considerar arroz, feijão, macarrão carnes salgadas, temperos, pães, biscoitos, bolachas, leite, açúcar (será que a PM manda um melzinho para suprir de glicose e flavose e outras doces oses, as amargas bocas e vazios estômagos dos estudantes?). E olhe que crianças em fase de crescimento come mais do que um leão.

A escola, pois, tem se valido em parte do apoio da comunidade católica, que aos domingos oferecem alimentos perecíveis, como óbolo da missa, e de uma milgalha dada pela PMC, tirado do dinheiro da merenda escolar, que é repassada pelo governo federal, tudo formalmente acordado, conforme relatou o pároco. Além do dinheirinho da PMC, a OAPC recebe um dinheirinho também do governo Jacques Wagner, mas este, segundo o pároco, está quite com os estudantes. Porém – ah, esse porém -, o excelentíssimo deixou de dar. Agora tá comendo.

O pároco disse enfaticamente que inúmeras vezes foi à secretaria de educação, mas o secretário nunca se encontra no seu posto de serviço (está apenas o palitó), ou ele está e pede ao porteiro de sua sala para dizer “tá aqui, não, padre”. “ Viajou e não sabe quando chegará”. “Foi à Brasília arranjar recursos”. “Passe aqui depois”. Já com o excelentíssimo o discurso é outro: ou o pároco toma um chá de cadeira até ser vencido pelo cansaço e desistir da pleiteada audiência, ou Carlão Mão de Bigorna despacha-o logo na entrada, dizendo com muita candura: “tá não!”.

Enfim: os meninos estão em quase estado de inanição.Daí as questões: Como pode uma pessoa ser perversa até com estudantes? Como qual cara o gestor se justifica para seus eleitores que eventualmente são os pais dos meninos que estão passando fome porque o dinheiro da comida está sendo negada? Como pode o melhor “prefeito do mundo do universo” inviabilizar o bom funcionamento de uma escola integral, que o sistema municipal de educação, aliás, deveria implantar em todo o município? A minha sugestão é colocar todos os estudantes em frente à prefeitura para um protesto pacífico. Algo como fazer uma panelada e pratada – como se fosse um buzinaço – com os estudantes cantando:
Meu lanchinho (Meu lanchinho)
Vou comer  (Vou comer)
Pra ficar fortinho (Pra ficar fortinho)
E crescer (E crescer).

Comentários

  1. Anônimo10:03

    Oportuna esta postagem.O pároco merece aplausos.A ser verdade tudo isso, devo dizer que a garotada, necessitada, hoje sendo bem cuidada será, no futuro, útil para a cidade, para o estado e para o país.Ajudem a cuidar da garotada, principalmente na educação e na saúde.

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