Evidentemente, este blog não é um veículo de comunicação leva-e-trás. Seu propósito é repercutir o cotidiano dessa dinâmica jungla de forma ironicamente séria. As inserções históricas e antropológicas que eventualmente são feitas servem para reafirmar as nossas permanências, evidenciar como somos ainda provincianos. Porém, (sempre esta condicionante), eis que de repente um leitor anônimo enviou um comentário protestando uma comunicação feita recentemente pelo professor Raimundo Alberto Cerqueira. Segundo o anônimo leitor, Raimundo teria dito que esta desinformada jungla não tem jornais, depois de centenas que circularam aqui, com exceção do REVERSO, jornal laboratório da Escola de Comunicação da UFRB. Para o comentarista, isto representou uma injusta desconsideração da existência do jornal O Guarany.

Para o anônimo defensor do referido jornal, o professor Raimundo deve ser repelido rigorosamente, etc., etc., etc. Aqui pra nós, comentarista anônimo, o senhor está errado. Profe, como carinhosamente é tratado o professor Raimundo por seus amigos mais chegados (e esse apelido foi cunhado pelo seu amigo pessoal, Gilberto Gil)n não desconsiderou o guaraná Guarany, tampouco proferiu, tempo algum, comunicação na UFRB onde teria dito tal infâmia. Raimundo Cerqueira me mostrou um exemplar do REVERSO, edição de abril-maio de 2009, onde num ineditorial de sua autoria afirmou que O Guarany é um jornal de circulação extemporânea, ou seja - e isto é verdade -, que o jornal O Guarany tem circulação eventual, que só de vez em quando mostra as caras. Tem culpa Raimundo Cerqueira ao afirmar tal verdade?

Além de extemporâneo – agora este blog é quem opina -, O Guarany é um jornal de duas caras, faca de dois gumes, corta de dois lados, ambíguo. Melhor, O Guarany é um jornal conveniente. Se lhe estão beneficiando, é só elogios aos mecenas. Se não, ele investe furiosamente com uma linguagem rebuscada e de duplo sentido, algo assim: morde e assopra. O que é ruim do O Guarany é que ele não seleciona o conteúdo das informações de seus colaboradores, isto é, o jornal não tem uma linha de pensamento definido. As únicas coisas coerentes no jornal são as matérias de autoria do redator e de seu filho.

Nas décadas de 1870-80, existiu nesta abolicionista jungla um O Guarany, fundado por Augusto Ferreira Motta. Era um jornaleco do tamanho de uma folha de papel ofício dobrado. Mas o que o danado tinha de pequeno era compensado pela grandiosa ousadia e independência. O tarado era tão filho da mãe que, naquela época, um de seus aportes era divulgar o pensamento do sociólogo Herbert Spencer. Natureza e Cultura, eis as palavras chaves do ousado jornaleco. Natureza significava o reconhecimento e a valorização de nosso passado histórico – o índio, o africano -, daí o nome O Guarany. 

Cultura significava   a concretização de um projeto "civilizatório" aliado a um desenvolvimento econômico, cujo sistema escravista em vigor era incompatível. Advinhe aí que eram os escritores do jornal e os propagadores desse ideal? Ah, respeitável comentarista, escreviam para O Guarany o maestro Tranquilino Bastos, Cincinato Franca (e não Franco), Silio Boccanera, o próprio Augusto Motta, e outros intelectuais abolicionistas dessa movimentada e rebelde jungla.

Esses meninos eram tão prá lá de Bagdá, aprontavam tanto aqui que eles fundaram um tal Club d`Instrução, onde alfabetizavam negros escravizados e libertos para se organizarem politicamente. Foi desse projeto TOPA daquela época que nasceu a Sociedade Montepio dos Artistas Cachoeiranos! Mas os descarados de Cachoeira não gostavam desses encardidos, viados, maconheiros, cachaceiros, pobre credicesta e que tais. De vez em quando a redação do jornal, que era ali onde hoje é o apart hotel Aclamação, recebia saraivada de balas desferida por lacaios, baba ovos, bajuladores, jagunços e cascavé rabo de chucai (entre os quais um bocado de pretos descarados)  a mando dos donos do poder, tal qual os safados atuais.

O Guarany de antanho era um jornaleco seguro de si. O desconhecido Cincinato Franca (não por este blogueiro) é amplamente conhecido no ambientr acadêmico deste vasto país. Sílio Boccanera se notabilizou como um proeminente jornalista em toda a Bahia. Tranquilino Bastos dispensa comentário. Augusto Motta faleceu muito jovem, ainda nos seus vinte e poucos anos. Mas deixou sua marca fortemente incrustada na nossa história, virou nome de escola mixuruca ali perto do cemitério. Conheci a tabeliã, Dona Anna Motta, que era, salvo engano, sua neta. Seu tataraneto Robson do Val, jornalista da TVE, me falou que ele era candomblezeiro, era consagrado a Oxossi (só podia ser!) e era pejorativamente nominado de "africano branco". Tá veno aí, as depreciações são recorrentes aqui. 

Pois, caro comentarista,  jornal O Guarany de hoje não chega aos pés do Guarany de ontem. Entendeu agora o que Raimundo Cerqueira falou?

Comentários

  1. Anônimo13:08

    Este discurso seu é equivocado.Se conhece, sabe muito pouco do Guarany das pricas eras que bem longe vão. Nem conhece o de hoje, chegando a afirmar que é um jornal temporário, não tem regularidade. Raimundo Cerqueira nem você parecem ver ou não querem enxergar. O Guarany de hoje sai com regularidade, sim. Todos os meses, além de manter blog on-line alimentado com notícias diárias de intresse nacional, inclusive, internacional, por ter versão em Inglês, também. Não se trata de um blog local, como o seu, o de Alzira Costa, Coligado, e outros que se concentram em futricas, buscando denegrir imagens ou inibir verdadeiros valores que aqui vivem e produzem.Eu acompanho todas as edições do Jornal O Guarany que você ignora.Defender só o que escrevem o seu editor e o filho, não honra o que vem em todas as suas páginas. Buscar desfigurar a linha editorial do Jornal por tudo que vem divulgando em suas páginas, retrata flagrante falta de capacidade crítica. O Jornal A Tarde tem uma página destinada a divulgar a prostituição. É muito fácil contratar prostitutas para noitadas através do Jornal A Tarde. Você conhece a referida página, nem por isso pode-se afirmar que a linha editorial do Jornal de Simões Filho seja esse ou seja dúbia ou que não chega aos pés do Correio da Bahia, da Tribuna da Bahia ou melhor do ex-Diário de Notícias. É o que você e o Raimundo Cerqueira estão fazendo com o Jornal O GUARANY.O Guarany de ontem que você afirma que o de hoje não chega aos pés, desafio-lhe a promover a exposição de alguns exemplares que lhe dão sustentação para tal afirmação, ao lado de exemplares do Guarany de hoje. Eu conheci e cheguei a ler no Arquivo Público Municipal, exemplares do Guarany de ontem.Estão péssimas condições! Não vi esta superioridade que você e o Prof. Raimundo Cerqueira afirmam ser muito acima do Guarany de hoje. Para quem conhece e fez estudos sincrônco e diacrônico da língua Portuguesa, o modelo textual do Guarany de ontem é ultraje língua lusa, mesmo naquele período. O de hoje, além do seu editor-chefe ser especialista em redação perlocutória e linguística textual, conta em suas páginas com textos produzidos por estudantes já prestes a se graduarem no curso de Jornalismo da UFRB, orientados pelo jornalista Sérgio Matos, doutor em comunicação e outros igualmente doutores na área, qualificação que você não pode apontar no Guarany de ontem, por questões óbvias. Vê se reflete mais sobre este raciocínio seu. Alzira Costa também pensa igualzinho a você em relação ao Guarany de hoje. Defende A Cachoeira de Briô, A Ordem de Erivaldo Brito e também O Guarany de ontem, mas o de hoje não presta, é lixo, segundo ela, você e Raimundo Cerqueira. Ela só anda calada por interferência de Joel, irmão de Tato. Mas o desejo dela é que o Guarany de hoje vá pró brejo. É o que querem Raimundo Cerqueira e você também. Esta Cacau, é uma tarefa impossível para qualquer um. Não será o seu discurso nem o de Alzira nem o de Zé Luiz nem o de Raimundo Cerqueira que conseguirá tal proeza.Como você vê, eu acompanho o seu blog!

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  2. E o Reverso que só sai, de fato, eventualmente, suas notícias não são extemporâneas? O Jornal O Guarany, não, sai todos os meses, e Raimundo Cerqueira o lê, mas finge não ter lido. Ele é capaz de dizer: "não li e não gostei". Fracamente, me faça uma garapa com tanta idiotice!

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  3. Anônimo14:08

    Hoje o Guarany se rede ante os favores da Viuva Faceira e da parceira 171 FM Primeiro porque divulga os "bons atos" do edil, que atraves dele faz propaganda de suas obras e da parceira 171 FM que antes divulgava o como o jornal mesmo disse "carater e forte personalidade" do gigante de duas caras vira folha que era carne e unha de NUKUR e depois num ato mágico passou pro lado do Edil depois de muito falar mal deste e agora homenagia o analfabeto comunicador matinal feirense.

    Independencia editorial é correr atras da verdade e nao ficar divulgando piadas de mau gosto a populacao, como em edicoes passadas o editor divulgou uma materia onde o seguranca do brega "nascido na Alemanha" depois de ser chamado de traidor foi ao jornal expressar total apoio ao prefeito. Que moral e bom constume esse cidadao tem pra ocupar uma metade de jornal de 8 paginas?

    Ao jornal: ainda é tempo de voltar atras. Cabe a um meio de comunicacao serio fiscalizar, e nao apoiar quem quer que seja.

    Como diz o meio juridico:
    Publique-se, leia-se, enraive-se... mas aceitem.

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  4. Anônimo17:05

    Não precisa mais explicação: O povão sabe quem é quem, deixem suas energias e coragem para gastar com o furação que vem nos próximos dias. Prepare a caneta e o papel que a bomba já explodiu!

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  5. O que vocês esperam, mais uma vez, vão se envergonhar. Preparem suas energias para bater na Justiça, inclusive, o conhecido idiota que postou o comentário acima. Ele já é comentado no centro e nos extremos da cidade como "o idiota". O que o "povo" sabe é sobre ele. O furacão vai baixar a crista de todos vocês que querem a queda do prefeito, esperam ansiosamente por isto. Mais uma vez, o tiro saíu pela culatra.Não adianta esconder-se atrás do anonimato, porque todos já conhecem o seu estilo idiota.

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  6. Anônimo08:00

    Vamos ver se o Jornal O Guarany vai publicar o fato do Edil ter trancado a prefeitura na sexta-feira com a desculpa que teria uma reunião com o Governador (mentira) para que os fiscais do CGU não adentrassem as portas da Viuva.

    Pobre tolo, ele pensa que os fiscais são idiotas e nao perceberam que ele tem algo a esconder. quem passou em frente a viuva no domingo a noite percebeu que as portas estavam abertas e caixas estavam saindo de lá como eu mesmo vi. Ora, a viuva funciona domingo a noite?

    Vamos Guarany, publique a verdade na proxima edição... mostre coragem velho indio.

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  7. É verdade, Cacau? O Sílio Boccanera que escrevia no Guarany d'antanho, segundo você... "Advinhe aí que eram os escritores do jornal e os propagadores desse ideal? Ah, respeitável comentarista, escreviam para O Guarany o maestro Tranquilino Bastos, Cincinato Franca (e não Franco), Silio Boccanera, o próprio Augusto Motta, e outros intelectuais abolicionistas dessa movimentada e rebelde jungla."
    Então, o Silio Boccanera é igualzinho ao Prof. Pedro Borges que afirma que jamais morrerá,pois, o Boccanera que escrevia no Guarany d'antanho,a partir de 1877, prossegue vivendo e poderá ser entrevistado no Guarany do hoje. A sugestão está sendo recomendada ao seu Editor. Aguarde!
    Não subestime inteligências! Você, se tiver, perderá a credibilidade que conquistou nos bancos universitários. Tenho outras observações a fazer, mas guardo-as para depois.

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  8. Arnaldo sampaio23:02

    Não retire uma vírgula Cacau e não se intimide com esse bando de imcompetentes que só querem mamar! A fonte vai secar,SGU tá área!

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  9. Anônimo11:05

    Senhoras e Senhores,

    Com vossa licença, gostaria de fazer algumas observações sobre a contenda que foi estabelecida sobre o jornal "O Guarany". Não me manifestaria se não tivesse sido citado como descendente direto do fundador do primeiro "O Garany", Augusto Motta. Na verdade a nossa tradição familiar no jornalismo remonta a 1850, quando o pai de Augusto, fundou "O Progresso", que circulou durante vinte e cinco anos nessa cidade. Os dois periódicos tinham como principais bandeiras o interesse público e os avanços na área do conhecimento, tudo que pudesse estar realacionado com a melhoria das condições de vida da população de Cachoeira, independente de posição política, religiosa ou qualquer outro critério que revelasse alguma sombra de sectarismo. Aqui estou eu, 170 anos depois, seguindo a tradição familiar. Relendo as páginas estragadas dos exemplares antigos do referido jornal, muito por causa das condições de armazenamento do inclassificável arquivivo público de Cachoeira, ou ainda manuseando as poucas edições que me foram legadas por herança familiar, percebo sim muitas limitações. Limitações de uma época em que o acesso às atmosferas elevadas do conhecimento da lingua era ainda mais restrito, de um tempo em que os recursos gráficos eram parcos, e as edições eram compostas letra por letra, com capricho idealismo e dedicação. Não percebo, no entanto, o que muito me envaidece, limitações com relação à dignidade do editor, referências a disputazinhas mesquinhas do "poderzinho" público municipal, características de quem quer parecer melhor aos olhos de pseudo líderes políticos, que se locupletam das vantagens do cargo, e nem percebem o tamanho verdadeiro da tarefa que lhes foi conferida. Essa retidão dos meus avós é o meu legado e é disso que eu vivo. Por isso valorizo muito o trabalho dos meu amigos cachoeiranos que reviram o passado para trazer a tona essas lições. Um assunto que eu tenho certeza que interessaria aos meus avós se já fosse notícia na época, é o avanço da ciência no campo da genética. O DNA explica e ainda vai explicar muito mais sobre os mistérios da narureza humana. Parece paradóxo, mas a história, que revira o passado, e a genética, ciência futurista, ainda vão aprontar muito juntas. Se transportarmos metaforicamente o exemplo do DNA para decidir qual o melhor dos "Guaranys", o de ontem ou o de hoje, talvez cheguemos à conclusão de que a comparação é impossível. Os dois não são a mesma coisa... tempo diferente, cabeças diferentes, DNA diferente. Um nome é só um nome.Quantos "Diários", "Tribunas", "Correios" existem pelo país, sem que ninguém tente compará-los. Certa vez fui procurado pelo editor do novo "O Guarany" que me falou muito respeitosamente sobre o projeto. Recebi como uma homenagem a idéia de usar o nome do jornal da nossa família no novo periódico, e por essa homenagem sou grato. O velho "O Guarany", no entanto, não pode nem deve responder pelo que é publicado no atual, e a respeito disso não faz sentido a existência de dúvidas.
    Por mais que seja publicado a esse respeito neste espaço, me reservo o direito de encerrar aqui a minha participação, mesmo porque, movida não foi por mágoa ou ofensa que possa ter sofrido a memória dos meus antepassados, e sim para funcionar como uma nota de esclarecimento, no velho estilo "Augusto Motta", sem interesses mesquinhos ou birras gratuitas de gente menorzinha. Aqui só estive, como disse no começo, porque fui citado, e em memória dos meus avós que tanto me enchem de orgulho. Espero não tê-los envergonhado em seus respectivos túmulos com o que escrevi aqui, afinal de contas, e agora me permitam a falta de modéstia, se depender do DNA, "O Guarany" sou eu (estou falando do antigo rsrs)
    Abraços a todos e espero que chegeuem a bom termo. Cachoeira merece.
    Robson Motta do Val

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  10. Anônimo11:20

    Sílio Boccanera está e esteve vivo. Um é descendente do outro. Tenho cópias do guarany com textos assinados por ele em 1888. Qualquer dúvida o novo Sílio, o que está vivo é claro, poderá confirmar. Não superestime a inteligência, é muito mais perigoso do que subestimá-la. Estamos aguardando a entrevista com ele. Sugestão de pergunta: O que ele sabe a respeito das origens? Com certea ele vai responder que quem não conhece as origens acaba fazendo e dizendo muita besteira.

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  11. Senhor Cacau,
    Já que se falou sobre escorregos cometidos nas postagens aqui em seu blog. Corrija mais um, desta vez, cometido por você. A expressão não é "leva-e-trás". A forma culta instrui que só é correto dizer-se "leva-e-traz", escorrego dado no início desta página, em cuja síntese você afirma que o Guarany de hoje não chega aos pés do Guarany d'antanho.
    Aproveito para expressar mais uma reflexão minha
    sobre o assunto:
    ***
    A vida leva e traz, a vida faz e refaz

    Preciso assumir a minha forte tendência “retrô”. Tenho refletido bastante ultimamente sobre isso, e me questionando se essa mania de revirar o baú do passado e me deleitar com isso significam um desalento com o presente. Será que estou vivendo um nó psicológico?

    Resolvi pesquisar sobre o assunto e encontrei um artigo que diz : “Normalmente há uma atmosfera utópica e imaginária na nostalgia, algo mais próximo do que se gostaria que tivesse acontecido no tempo que se foi, como desejaríamos ter vivenciado determinadas experiências. Ela nasce justamente da incapacidade de retornarmos ao passado e de agir de forma diferente em diversas situações.”

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