O Globo


Em SP, Hillary defende direitos
de afrobrasileiros e mulheres

Leila Suwwan

SÃO PAULO - Em encontro na Universidade Zumbi dos Palmares, ontem à noite em São Paulo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tratou de temas sociais polêmicos e defendeu igualdade de oportunidades, especialmente na educação.
- Sei que a população brasileira é composta por 50% de afrobrasileiros, mas só 2% dos estudantes na universidade são afrobrasileiros. Por isso, aqui, como nos Estados Unidos com a "Ação afirmativa" do governo Obama, precisamos expandir a base educacional para formar gente mais qualificada - disse Hillary para uma plateia de 800 alunos e convidados.

Ela também se mostrou favorável ao aborto. Disse que há hipocrisia na proibição da prática, já que mulheres ricas em todo o mundo interrompem a gravidez indesejada.  " As mulheres ricas têm esse direito (ao aborto) em qualquer país e as mulheres pobres não "
- As mulheres ricas têm esse direito em qualquer país e as mulheres pobres não têm. Em todos os países, a decisão é da população do próprio país, mas isso deve ser bem refletido porque tem a questão do número de filhos que as mulheres podem ter e sustentar, e há o ônus do abortos ilegais na saúde pública.

 Descontraída, respondeu a perguntas de dezenas de alunos e professores da Fundação Zumbi dos Palmares, ONG que luta pelos direitos dos negros. A mediação foi feita pelos jornalistas William Waack e Maria Beltrão, da TV Globo. Hillary elogiou o fato de duas mulheres disputarem a Presidência no Brasil:
- É sinal do avanço das mulheres, mas sei que ainda há muitas barreiras para elas. Temos ainda que lutar contra a violência contra a mulher e há muito trabalho a se fazer. Também defendeu a ampliação na concessão de vistos para brasileiros visitarem ou trabalharem nos EUA.

 Ao responder se via os brasileiros como ameaça, foi enfática: " Vivo em Washington a seis casas da embaixada brasileira. Quero aproximar os dois países "
- Não! Vivo em Washington a seis casas da embaixada brasileira. Quero aproximar os dois países. Ao destacar que a imprensa era livre no Brasil, Hillary fez críticas ao presidente venezuelano Hugo Chávez.
- Chávez procura coibir a atuação da imprensa, procura reprimir a imprensa livre e confiscou bens de empresas de comunicação na Venezuela, e isso não se faz - criticou. Em uma das respostas, preferiu não se comprometer em apoiar a iniciativa brasileira de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
- Espero que aconteça a reforma do Conselho de Segurança da ONU, mas isso ainda depende de um acordo com outros países - desconversou Hillary, que não respondeu se os EUA apoiam ou não o pleito brasileiro.

Comentários

  1. Anônimo17:39

    De historiador para historiador (última mensagem):

    Reflexão Política

    A liberdade individual (e não há outra liberdade real, senão esta) é incompatível com a igualdade social (econômica, material), mas não com a igualdade jurídico-formal (perante o Estado e as leis). Assim sendo, para se buscar a igualdade social (econômica, material), tem-se de restringir e mesmo suprimir a liberdade individual (liberticídio); por outro lado, a garantia da liberdade individual pelo Estado necessariamente conduz à desigualdade social - pois os homens não têm a mesma história pessoal e familiar -, mas não afeta a igualdade jurídico-formal.

    Donde a escolha política essencial hoje seja entre a liberdade individual (com igualdade formal) e a igualdade social (com pouca ou nenhuma liberdade individual).

    Sucede além disso que a experiência histórica tem demonstrado ser a igualdade social algo inatingível, pois quem iguala socialmente a base social se desiguala em relação à mesma, pois se mantém no topo da hierarquia social, como casta burocrática dominante, política e econômicamente.

    Daí a indagação: valeria mesmo a pena abdicar da liberdade individual em prol de uma pseudo-igualdade social ? Outra pergunta: qual seria a vantagem de não ser empregado de uma empresa privada, podendo-se buscar livremente outro emprego privado ou público, para ser empregado compulsório do Estado, sem outras alternativas, sacrificando-se a liberdade individual em nome de uma promessa de igualdade social jamais alcançada ? E ainda outra: que diferença haveria entre um escravo tradicional (de um senhor de escravos) e o escravo do Estado ? Seria o falacioso argumento de que o Estado representaria a sociedade como um todo? Em que o escravo do Estado totalitário seria superior ao escravo antigo, se a ambos se nega a liberdade individual, embora os dois sejam mal ou bem alimentados, conforme a energia que deles se exija ?

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