HISTÓRIA

SÍNTESE

Na década de 1920, em pelo período coronelista, duas facções políticas disputavam o poder em Cachoeira. De um lado, Albino José Milhazes Filho. De outro lado, o coronel Ubaldino de Assis Nascimento Curvello, ou, como era mais conhecido, Ubaldino de Assis.

Albino tinha como partidários os milionários Epiphanio José de Souza e Reinério Martins Passos (este último seu cunhado, que vivia entre Paris e Cachoeira e era proprietário do palacete localizado no Alto do Monte, hoje pertencente ao doutor Albérico), o advogado e abolicionista Prisco Paraíso, o médico Inocêncio Boaventura, o engenheiro Américo Simas, o erudito funcionário da Guinle, Artur Durval, o médico Cândido Vaccarezza, o jornalista Ernesto Simões Filho (que era afilhado de seu pai e nasceu em sua residência do Alto do Monte), o pessoal do candomblé de Ventura, que ainda persiste, o pessoal da Lira Ceciliana, o pessoal da Irmandade de Nossa Senhora da Conceiçào do Monte. e o povo de Santa Cecília.
Albino Filho era "do lado" de José Joaquim Seabra (o J. J. Seabra), o primeiro governador republicano da Bahia, e ao presidente da República Nilo Peçanha.

Já Ubaldino de Assis era da trupe deo derrotado presiedente da república Artur Bernardes, e líder do "grupo" (sacou agora o leitor o que significa "grupo"?) ligado à facção dos senhores de engenhos, da igreja da Ajuda, àqueles que resistiram até o dia 12 de maio de 1888 à abolição da escravatura, à Minerva Cachoeirana, ao povo da Rua de Baixo (a antiga vila) e da Irmandade do Santíssimo Sacramento da igreja matriz de Nossa Senhora do Rosário, que não é a dos pretos.

As constantes brigas entre as duas facções, essas separadas pelo político riacho Pitanga, impedia m a conservação urbana. As constantes depredações de equipamentos públicos eram formas de inviabilizar a administração dessas facções, que eram promovidas pelos "apaches", um termo pejorativo para significar a reles social daqui. Veja, leitor, que a manipulação do pobre negro dessa cidade em benefício pessoal é antiga.

O texto abaixo, publicado no jornal A Ordem, edição de 4 de fevereiro de 1922, representa o momento em que o coronel Ubaldino de Assis perdeu seu poder de forma desesperante. Sim, os documentos históricos comprovam que depois desse episódio nunca mais ele foi o arrogante que era (ele morava na rua ana Nery, 28, e se estivesse vivo, seria vizinho desse blogueiro) . Trata-se de um documento importantíssimo que esse blog encontrou nos alfarrábios do seu blogueiro, que inaugura um novo momento político de Cachoeira. Foi na década de 1920-30 que Cachoeira experimentou momentos significativos de suas administrações sérias. Nessa época destacariam como eminentes administradores o médico Inocêncio Boaventura, João Vieira Lopes, Conegundes Barreto.

Leia, pois, este artigo histórico e do nosso histórico jornal A Ordem e retenha, para o seu saber, o que de atual nele contém.

"DOIDO VARRIDO"


Afundando na sua insignificância política, o senhor Ubaldino de Assis, seguido de uma reduzidíssima corte de arlequins, ameaça céus e terra, agredindo a torto e a direito em movimento de triste e deplorável incompetência.

Os homens sensatos desta pobre terra, cujas rendas ele e sua nefasta camarilha devastaram durante o longo período de 15 anos, á o chamam de doido varrido, condoídos, aliás, da sua trepidante paranoicidade, sobrevindas desde o momento em que cuspiram fora do parido situacionista transformando da noite para diurno cadáver político de possante possibilidade.

Despojado do prestígio que lhe advinha do amparo paternal do governo do Estado, que o fez durante aqueles largo espaço de tempo, dominados incontrolável do vultoso grupo grupo de municípios neste segundo distrito eleitoral, o senhor Ubaldino de Assis arrima-se agora aos seus antigos tanks [tanques] de politicoides incontinente, abrindo profundas brechas na moral política com a encenação perante o respeitável pretório da Justiça federal da Bahia, das mais desvaladas, enojantes e cínicas fraudes de que há memória neste dois últimos decênios nestas paragens.

Tendo fugido vergonhosamente, como réprobo batido pelas assuadas da garotagem insatisfeita, do pleito municipal nas comunas que foram vítimas da móbida insaciabilidade voracíssima, arquitetou com audácia peculiar aos insensatos e aos nulos, uma ata falsa, fabricando-as aos fundos da Santa Casa, esse outro pasto de inanomináveis rapinagens, e com elas “imbahindo” a boa fé que coroa os homens de saúde moral, dignificados na prática do verdadeiro e nobre sacerdócio da justiça, suplicou e obteve do ilustre Sr. Dr. Juiz Federal uma ordem de habeas corpus, que lhe pudesse, por tempo embora, garantir, e a esa farandula de desocupados, que lhe formam em torno da carcassa arruinada pelos tresnoites do deboche, o avanço criminoso nas depauperadas rendas do município.

Para felicidade de Cachoeira, porém, Deus não está com a ladravagem [bonita palavra].

E tanta justeza tem esta assertiva, que, ouvida, na decisão do recurso interposto, a alta Corte da Justiça da República, ela, na sua augusta serenidade, mandou cassar a ordem concedida [o habeas corpus], pondo assim por terra a ignomínia da fraude e as esperanças ignóbeis dos inveterados peculatários.

Isto foi a 28 do passado [1921].

Mas, doido varrido, não quer o senhor Ubaldino de Assis conformar-se em deixar d vez a presa de tantos anos. E, seguido de uma embaixada duvidosa e composta, na sua totalidade, de tipos desclassificados, alguns até apanhados na gandaia das ruas, poucos dias depois viajava rumo à nobre cidade de Thomé de Souza em busca de outra ordem de habeas corpus – Em favor de quem? Perguntaram.

Desse espécimem tão bem acabado de passividade e branquitude – o senhorZeferino Antonio de Freitas, que o descabido pajé das terras do Paraguaçu quer impigir à antegridade moral, forte e sadia, do senhor Dr. Estelito Pessoa. Como presidente do ”Concelho Municipal” de Cachoeira, afim de conseguir, com o “dessescrúpulo” que caracteriza os altos da sua vida pública sejam satisfeito os seus inconfessáveis defeitos.

Antes de pisar o vapor Cachoeira, que o conduziu à última aventura pitoresca, o senhor Ubaldino de Assis nos destemperos próprios dos loucos pôs [se portou como] as cumelinhas de rameiras turbulentas [como uma puta], e mesmo no cais de embarque, gritando como possesso, alvejou os seus sempre nobres e leais adversários com impropérios de baixo calão, próprios das vielas infectas em que predomina a sífiles das misérias morais.

A queda formidável que sofreu das posições oficiais e as durezas e aperturas de um ostracismo de que jamais sairá, fazem do senhor Ubaldino de asis um incontinente na linguagem, de maneira descomposta em plena rua, agredindo a torto e a direito, assim, transeunte não lhe saiba o paladar, porque não pertence à esfrangalhadas, de recursos torpes e amorais.

Comentários

  1. Anônimo23:40

    baixou o espírito de Ubaldino em alguém aí!

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  2. Anônimo15:24

    Rapaz vc é brilhante: Pela inteligência mostra o passado virar presente! Haja guiné e vejá Arruda.

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  3. Anônimo17:19

    Rapaz, vc não é brilnante não vc é uma constelação, são sóis, vc é um sol multiplicado por mil, continue assim cacau, o home mais inteligente de cachoeira, o verdadeiro intelectuial de esquerda e de direito, que não tem medo de nada, detemido, que escreve e assina. Cacau para catedratico, reitor da UFRB, tai o nome

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