TERREIRO CULTURAL E CEPASC PEDEM RECONHECIMENTO DA RECUADA
COMO ÁREA DE PRESERVAÇÃO RIGOROSA
As fotos de cima para baixo: Cemitério de Africanos e parede lateral da igreja dos Nagôs. Igreja de Nossa Senhora do Remédio, vendo-se ao lado direito a casa onde residiu o africano Belchior Rodrigues Moura e sua esposa igualmente africana Maria Motta. Casa do casal Belchior Rodrigues Moura antes da desfiguração arquitetônica (foto cedida pela família do senhor Walter Maia, parente de Zé de Brechó). Bitedô visto do Cuicui de Caboclo, vendo-se a favelização na imediação de Cemitério de Protestantes, na Rua Stela.



O Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Sócio-Cultural de Cachoeira (CEPASC) e o Terreiro Cultural de Cachoeira estão enviando ao IPAC e ao IPHAN solicitação de inclusão da Recuada como zona de preservação rigorosa, e o Bitedô como sítio cultural afrorreligioso de Cachoeira. A Recuada em referência é a zona urbana que compreende o Curral Velho, Rua do Remédio, Rua Barão de Nagé, Rua Julião Gomes dos Santos, Ladeira Manoel Vitório, Alto do Cruzeiro e rua dos Artistas. Já o Bitedô é o antigo sítio que em 1845 foi comprado por Belchior Rodrigues Moura a José Antônio Fiusa da Silveira, e compreende a área onde na década de 1870 foram construídos o viaduto e túnel ferroviários. Foi nessa localidade onde originou o que na década de 1880 seria o terreiro de candomblé de “nação” jêje mahi Zô Ogodô Bogum Malê Seja Hundê, conhecido como Roça de Ventura, fundado por José Maria de Belchior, conhecido como Zé de Brechó, na sua fazenda na Lagoa Encantada. Zé de Brechó e seu irmão, Antônio Maria de Belchior, conhecido como Salacó, eram filhos de Belchior Rodrigues Moura e sua mulher, Maria Motta.

O CEPASC e Terreiro Cultural de Cachoeira reivindicam ainda na solicitação em referência a recuperação da configuração original da residência de Belc
hior Rodrigues Moura, localizada na Praça do Remédio (veja fotos). O CEPASC e Terreiro Cultural sugerem que o imóvel seja adquirido pelo IPHAN/IPAC e Prefeitura Municipal da Cachoeira para abrigar um Centro de Cultura de Matriz Africana do Recôncavo, ou um Museu Afrorreligioso do Recôncavo. Nesta casa residiu até 1904, quando faleceu, a esposa de Belchior Rodrigues Moura, a citada Maria Motta, e suas filhas Aniceta Motta, Maria Epifânia Mota e Juliana Motta, esta falecida em 1944. Essas mulheres do partido alto, ou seja, mulheres que faziam parte de um grupo de africanas economicamente emergentes de Cachoeira, foram fundadoras da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte de Cachoeira, juntamente com Júlia Gomes, proprietária da Casa Estrela, localizada na Rua da Matriz, entre outras vodunsis da Roça de Ventura. A casa de Belchior e Maria Motta, que foi também residência, até a década de 1970, de Dona Maria Adeodata, filha de uma das fundadoras da Irmandade da Boa Morte, e esta também membro da instituição religiosa. é um ícone, como é a Casa Estrela, do culto afrocachoeirano.

Com a consolidação da Recuada como zona de preservação rigorosa protegida pelo IPHAN/IPAC, o CEPASC e o Terreiro Cultural buscam inserir esse núcleo residencial urbano de cunho africano no seu lugar devido. Com efeito, a igreja do Remédio, que se encontra abandonada, poderá ser recuperada pelo Programa Monumenta, como foi recuperada a igreja e cemitério dos Nagôs a partir de solicitação do CEPASC e Terreiro Cultural. O Bitedô, que pleiteia o reconhecimento como sítio cultural afrorreligioso, será transformado num memorial do candomblé e sítio ecológico de valor religioso, onde serão criados herbário e santuário do povo-de-santo do Recôncavo baiano.

Comentários

  1. Anônimo15:06

    Cacau:

    Grande matéria! Elucidativa, informativa e, principalmente, propositiva. O passo seguinte é colocar o documento(escaneado) enviado aos órgãos citados. Fiquei orgulhoso do blog.
    Abs,
    JORGINHO RAMOS

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  2. Valeu, Jorginho. Vindo de você, um dos grandes nomes do jornalismo baiano, mas com projeção internacional, fico mais orgulhoso ainda. sugira pautas.

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