RACISMO AMBIENTAL
EM CACHOEIRA


Com a implantação da Barragem de Pedra do Cavalo, localizada onde antes havia a Hidrelétrica de Bananeiras, no Rio Paraguaçu, a porção territorial do Recôncavo baiano que compreende o baixo curso do rio Paraguaçu tem sofrido as consequências sociais causados pelo impacto ambiental causado pela melagomaníaca obra (e quanta gente ficou rica, virou prefeito, ladrão, etc, etc), que vêm sendo sentido pelas comunidades que têm seu sustento tirado do extrativismo, pesca e mariscagem. Comunidades ribeirinhas cuja sobrevivência dependia da qualidade e garantia do ecossistema vivem hoje em situação de quase miséria.

Pescadores abandonaram suas atividades para se empregarem como ajudantes de pedreiros em construção civil em Salvador. Marisqueiras atualmente trabalham como empregadas domésticas. Filhos e filhas de pescadores e marisqueiras enveredaram numa viagem sem volta ao mundo das drogas e prostituição. Localidades antes pacíficas e bucólicas da foz do Paraguaçu (Coqueiros, Nagé, Iguape) são hoje localidades marcadas pelo medo e intranqüilidade. Esse fenômeno é resultado de um projeto de racismo ambiental, perverso e intencionalmente fomentado pelo modelo capitalista que ainda persiste no Brasil. Tudo mundo sabe como são tratados os pretos aqui.

A Embasa, empresa de saneamento e abastecimento de água do governo do Estado, por ser uma estatal é reconhecida aqui como um organismo de desmandos e desrespeito ao meio-ambiente. A Mastroto Richert, uma empresa italiana de beneficiamento de couro, é campeã em denúncias e processos trabalhistas, e também usuária e parceira da Embasa em atos irregulares. Por exemplo, quando a referida empresa italiana despeja irregularmente efluentes químicos no rio Paraguaçu, é a estatal Embasa que cuida de reduzir o dano despejando água tratada, que seria para o abastecimento doméstico, no rio Paraguaçu. Entendeu as constantes faltas de abastecimento nas casas?

A Votorantin Energia, proprietária da hidrelétrica de Pedra do Cavalo, é a responsável pelo dano causado no ecossistema do lagamar do Iguape. A contenção das águas do rio Paraguaçu e o subseqüente aumento da salinidade das águas a jusante da barragem comprometeu a piscosidade do rio Paraguaçu, entre outros problemas. Para redimir sua culpa, desenvolve ações sociais nas zonas ribeirinhas e no Iguape, que são insuficientes. Para acabar de completar, a Petrobrás, outras vezeira poluidora e agressora do meio ambiente, está promovendo desmatamento de áreas extensas de floresta atlântica do Iguape (veja fotos) por onde está passando o gasoduto que ela está construindo na região.

Hoje, 20, moradores de zonas rurais do Iguape protestaram promovendo o bloqueio de estradas e outras manifestações. Isto demonstra que eles estão de saco cheio das promessas eleitorais e ações paternalistas. Isto reflete também aquilo que estamos sempre chamando a atenção das “autoridades” cachoeiranas: falta política de responsabilidades fiscal no campo. O homem do campo, o trabalhador rural de Cachoeira é tratado hoje como se tratava trabalhador rural em 1800, como escravo. Os mágicos cachoeiranos que de um dia para o outro ficou rico e ninguém sabe como e hoje é dono de gadaria imensa pensa que ainda estamos no tempo da escravidão. Existe racismo ambiental em Cachoeira e a Votorantin, Embasa, Mastroto, Petrobrás e "fazendeiros" locais são racistas ambientais. Cadê os edis? Os edis!

Comentários

  1. Anônimo16:20

    Desculpe-me, caro blogueiro, porém você agora está sendo reacionário, opondo-se ao desenvolvimento econômico em defesa de interesses de comunidades culturalmente atrasadas e fadadas à extinção paulatina.

    Tudo tem o seu preço, e o interesse da maioria urbana e o progresso infelizmente fazem vítimas.


    É óbvio que essas pessoas prejudicadas devem ser indenizadas e assistidas, para que logo encontrem outros meios dignos de trabalho e sobrevivência. Nisto você está certo.

    Mas impedir o progresso e o desenvolvimento econômico é inadmissível. Ou você, por coerência, não consome energia elétrica, água encanada, não usa telefone e computador?

    Com esse pensamento conservacionista, ainda estaríamos na idade média.

    Alberto

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  2. Anônimo18:47

    Perfeito! Parabéns Cacau!

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  3. O progresso deve existir, desde que não agrida drasdicamente o meio em vivemos.
    De que adianta energia elétrica enquanto muitos vivem na escuridão da miséria, água encanada enquanto nossos rios estão sendo poluídos - possa ser que um dia saia de nossas torneiras água poluída dos resíduos lançados por alguma empresa. Ou ainda que nem saia água, porque outra se preocupa em "limpar a sujeira" -, telefone e computador enquanto ouvimos, lemos e assistimos a degradação do meio ambiente?
    "O homem é o lobo do homem."

    O progresso não seria egoísta?

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