A CULTURA, POR EXEMPLO
O ex-secretário de cultura da nossa erótica jungla falou constrangido, diante do silêncio sepulcral e ouvido de mercador dos speakers da FM parceira, que o atual secretário de cultura local não participou de um evento em Salvador, em que reuniu todos os secretários municipais de cultura da Bahia, contando inclusive com a presença da secretária Bibi, da também heróica e monumental São Felix. Perdeu. Teve bolo, refri, comida gostosa, cafezinho, gente bonita, salas climatizadas, conversas fiadas e, pasme secretário, hospedagem de primeiro mundo no Hotel Tropical da Bahia, onde aconteceu o evento.

O secretário perdeu a boca provavelmente porque o excelentíssimo não liberou um carro da frota oficial para conduzi-lo ao evento, ou porque, não liberando o carro oficial, não liberou também o dinheiro da passagem da besta até a Brasilgás, e do buzu até o Campo Grande, ou porque o escalão secretarial (como diz meu amigo Pedro Martins: kkkkkklkkk!) não tem mesmo nenhuma moral, ou porque - ufa! -, o que é o mais provável, a cultura que se lixe.

Não entendo a condescendência do ex-secretário de cultura, ou sua política de não falar a verdade, não ferir a possíveis suscetibilidades para não se dar mal adiante, quando disse, amenizando, que o seu constrangimento isentava de culpa o excelentíssimo, porque ele disse que não tomaria nenhuma decisão no âmbito da cultura sem antes ouvir o povo. Com licença, ex-secretário, com todo o respeito que vossa ex-excelência me merece, não posso me conter: kkkkkkkkahahahahahkiakiakiakiakia!!! Ouvir o quê? Ouvir quem? Ouvir por que? Ouvir como?

Quando vossa ex-excelência disse que o excelentíssimo não tomará decisões sem antes ouvir o povo certamente referiu-se como o povo o Conselho Municipal de Cultura, certo? Mas o CMC atua efetivamente? Desde quando? O que tem feito de concreto? Rara - raríssimas, uma ou duas pessoas - sabe que existe Conselho Municipal de Cultura – e outros Conselhos também! - aqui em nossa erótica jungla. Esses Conselhos não são nada além de grupelhos escolhidos a dedo em salas tipo aquela desbaratada em Brasília, que servia para esconder as tramóias articuladas pelo administrador do senado, algo assim. Essas coisas aqui, como lá, não são divulgadas, não são levadas ao conhecimento público na FM parceira e outros veículos de informação. Como, então, o excelentíssimo vai tomar uma decisão ex-excelentíssimo secretário de cultura?

Defino o CMC com uma velha e sempre atual frase de Caetano Veloso, aqui adaptada para a circunstância: o Conselho é muito simpático, porém incompetente. Muita conversa, muita reunião, muito plá., plá, plá pra 'plorra' nenhuma. Enquanto isso, a Igreja se dá bem com o dinheiro do Estado (mas a Igreja não já se desvinculou do Estado láico séculos atrás, graças a deus?) com as reformas de templos e imagens para ela só usufruir. Enquanto isso, veículos da polícia e de particulares, caçambas, tratores oficiais e oficiosos estacionam a qualquer hora em frente a monumentos. Enquanto isso, os equipamentos públicos são depredados impunemente. Enquanto isso, a PMC promove a degradação da paisagem urbana incentivando a formação de favelas no entorno da cidade. Enquanto isso, o rio Paraguaçu é degradado. Enquanto isso, esperamos a decisão do excelentíssimo, que espera a decisão do CMC, que espera a decisão da comunidade, que espera...

Comentários

  1. Foi bom ele não ter ido...prá falar o quê,do quê mesmo?O nobre jornalista(agora todo mundo é)já se esqueceu que a imcompentência,via de regra, se utiliza da sombra do poder.Essa gente que está aí,deve representar a secretaria da contracultura.

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  2. Anônimo16:17

    É a minha casa!!! É a minha casa!!!! Cadê o "pé de oiti" que havia no jardim ?? Onde na infância eu deixava açalpão numa gaiola com canário - ou cuiuba - tentando capturar outros indivíduos da mesma espécie?? (bons tempos aqueles em que não havia ainda a cretinice fascistóide do "politicamente correto" e do "ecologicamente correto" , o atual e tacanho moralismo censor da linguagem e do comportamento, ao estilo do "1984", de Orwell, que lamentavelmente copiamos dos radicais histéricos “pós-modernos” dos EUA e Europa).

    Cadê aquele lustre no estilo colonial que havia nesse poste? rs

    Não vejo os bancos do jardim, com aqueles recostos que usava como asssento quando chovia, o que quase me valeu uma surra do diabo fardado Edelsaías (de triste memória), numa daquelas noites de porre de cuba libre, não fosse a redentora intervenção do santo subdelegado da época, o Sr. Nélson Burgos (este, sim, de saudosa memória).

    Saudades daqueles tempos. Eram mais livres, apesar de tudo. Sem a ditadura hipócrita e chata do bom-mocismo “consciente” (?).

    Acho que nasci para ser do contra, para remar contra a maré (rs).

    É. Qualquer dia desses, após a aposentadoria (ou antes, quem sabe), talvez dê uma passada por aí. rs

    Abs, irmão.

    Fui!!

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  3. Mestre Cacau, gostante de cervejas, realmente não existe Conselho de Cultura em Cachoeira, ele está sendo formado, discutido, sinto, inclusive a falta de um antropologo do seu "kilatate" nos debates, mas... enfim, você não aparece. O Conselho é uma ferramenta importante para democracia cultural na Heróica, mas se os pensantes do município não fazem parte dele, esse espaço, consequentemente, é ocupado por desocupados (com o perdão do trocadilho) Você se recorda de como era a relação de poder na época da ditadura? Como diria Marilena Chaui, "criticar por criticar é um ato psicológico." Bem, viva a democracia e a prática dela, é a nossa arma, muito mais eficiente que a nossa língua lambedora de verdades, preparemos nossas panelas e gritemos nossa liberdade sem PÂNICOS ou CQC'S. Afetuoso abraço, sogro querido... parabéns pelo blog, ler suas palavras aqui, é muito divertido.

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  4. João, meu querido filho. Eu, um assumido gostante de cervejas, que já foi também assumido gostante de maconha, não sabe onde ocorre essas reuniões, que dia acontece, quem procura para se autoconvidar e se tem lugar para mim. Não pleiteio outros conselhos, mas o de Cultura imploro a minha participação.
    Bonito a frase de Marilena. O pouco, ou nada, que sei da obra de marilena não percebi a sua abordagem da crítica como algo psicológico ou algo que valha. Puxa, logo a crítica? Vou reler sua obra novamente.
    Obrigado pela sua participação. Manda mais.

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  5. Anônimo22:24

    Cachoeira, a heróica, está de parabéns com os bons blogueiros que tem, principalmente Cacau, filho do saudoso amigo Coquito,a sra Alzira Costa, e outros. se o semanário "A CACHOEIRA" (do saudoso Briô)ainda existisse, estaria superado. Parabéns blogueiros da CACHOEIRA!

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  6. Cada dia é um babado novo nessa cidade! rs
    Soube da primeira reunião do conselho de cultura, mas infelizmente não pude comparecer.
    Eu também gostaria de saber quando vai ocorrer outras reuniões.
    Às vezes fico triste como uma cidade como a nossa é tão pobre na exploração de aspectos culturais. Aliás, o povo daqui acha que cultura é colocar um festival de música na praça, São João e Boa Morte.
    A cidade, em décadas passadas era mais valorizada - como já pude ler nas postagens desse blog.
    Cachoeira é tão rica, tão rica... Mas aos olhos alheios é tão pobre, tão pobre...

    É João, concordo contigo quando escreveu que é muito divertido ler o blog. Dou tanta risada com as ironias de seu Luiz! rs rs

    No mais...vamos ver no que vai dar! Só não podemos cruzar os braços. Devemos estar na platéia e brigar por mudanças.

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  7. Anônimo21:53

    Marilena Chauí, humm, é ótima militante política na universidade e péssima filósofa....Merchior a denunciou, sem desmentido, de ter plagiado Claude Lefort.....sem pôr aspas mesmo....ridicula a teoria dela sobre a ética na política e a ética da po´litica....é só ideologismo barato....é endeusada porque aqui no Brasil, terra de babacas deslumbrados, quem tem um olho, o esquerdo, é rei

    Alberto

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