A PRIMEIRA DERROTA LUSITANA NA BAHIA

A Batalha do Avaí, de Pedro Américo, com mutilações para exemplificar a participação efetiva do homem negro na construção da sociedade brasileira. Na guerra de independência da Bahia o quadro era o mesmo. Na foto abaixo, uma autoridade da época.

Quinze dias antes da proeza cachoeirana, em 25 de junho de 1822, a soldadesca soteropolitana desertava para o lado dos baianos. O que motivou tal atitude? Preocupado com tamanha deslealdade, Madeiro de Melo enviou ofício para o Juiz de Fora de Cachoeira, solicitando, entre outras coisas, que sentasse a madeira nos traidores. Para facilitar vossa leitura, o documento abaixo transcrito foi adaptado para a grafia atual, presenvando, no entanto, a retórica e estilo narrativo. O referido documento encontra-se no Arquivo Regional de Cachoeira. Propositadamente não é indicado a referência documental.

Constando por ofício em data de hoje do Brigadeiro Governador das Armas, que tem desertado e continuam a desertar para o Recôncavo muitos soldados dos Regimentos desta Cidade, a Junta Provisória de Governo, zelosa da pacificação dos povos, desejando evitar que por qualquer modo se tenda a turbar a ordem estabelecida e aterrorizar os cidadãos determina que V. Mercê [você] com a diligência que demanda negócio tão importante use de todos os meios a sua disposição não omitindo a de força Armada [o uso da força] que deprecará a compete autoridade militar do distrito no caso de absoluta necessidade por se descobrirem e prenderem qualquer dos sobreditos desertores que forem encontrados, o que fará remeter imediatamente a esta cidade de baixo de todas a segurança e bem assim tome todas as medidas de prudência e cautela conforme ao sistema de nossas Leis de policia, para evitar reuniões de pessoas vadias, suspeitas de mãos costumes e mal intencionados, afim de q’ de maneira alguma se altere o sossego e tranquilidade da Vila dando por de qualquer acontecimento pela Secretaria da mesma Junta, e ficando na inteligência de que a resto do declarado nos seus dois ofícios de 10 e 11 do corrente, se tem oficiado ao Brigadeiro Governador das Armas para que de sua parte de tão bem as providencias que forem próprias a conseguir a desejada harmonia. Deus Guarde a V. Mercê. Palácio do Governo da Baía, 15 de Junho de 1822. Francisco Carneiro de Campos, Senhor Juiz de Fora da Vila da Cachoeira. Cachoeira, 16 de Junho de 1822.



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